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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desastre é com a Defesa Civil

Esse tornado que passou por SC semana passada levou um monte de coisa boa, inclusive vida. A tristeza é grande lendo textos, ouvindo histórias e observando a destruição pelas lentes.

Mas tem coisa "inacreditível", que só deve acontecer com a nossa bendita Defesa Civil de SC.

Sexta-feira de noite, quase sábado, dúvida maldita para liberar a página: o que raios é uma pessoa deslocada? Alguém que foi arrastada pela ventania, pela água, pela terra?

- Alô, é da Defesa Civil Estadual?
- Sim senhor
- Com quem eu falo?
- Aqui é o Sargento Garcia (nome alterado para preservar a fonte)
- Ôooo, sargento.... o senhor pode me explicar qual a diferença entre desabrigado, desalojado e principalmente, deslocado?
- Ah, pois não...
- É que desabrigado era quem ia para ginásio, essas coisas. Desalojado ia para casa de amigos, parentes né, sargento?
- Isso... isso
- E o deslocado, é o que?
- Ah, então... é que agora tem essa categoria... Deslocado é o seguinte. Separamos agora quem vai para casa de amigos e parentes. Quem fica com amigos é deslocado. E família, aí continua desalojado
- Mas por que isso? Não é mais difícil de contar?
- Olha... então, foi o que criaram...
- Tá certo, então... obrigado viu seu Garcia?!
- Qué isso, tamos às ordens.


Tava difícil de acreditar. Foi melhor consultar os colegas de outro jornal

- Deslocado? Pra gente disseram que é quem precisa sair da cidade.
- É... faz mais sentido...

tã tã tu tu tu tã tã tã
tuuuuuuu....

- Alô, sargento Garcia?
- Pois não?
- Então, eu falei com o senhor agora há pouco... tá lembrado?
- Sim, claro, claro, prossiga
- É que eu ainda tô com dúvida. Uns colegas da imprensa disseram que deslocado é quem sai da cidade. E o senhor me disse que é a pessoa que vai para a casa de amigos. O que tá certo afinal?
- Olha....

Silêncio curto e interminável

- Na verdade, viu... as duas coisas tão certas
- Hã?
- É que funciona assim... Na verdade deslocado é um termo usado bem para o interior sabe... Então... no interior geralmente as pessoas não têm amigos na mesma cidade... porque as cidade são pequenas... daí elas vão para a casa de amigos, mas em outras cidades... entendeu?

Silêncio do lado de cá...

- Sim, sim... entendi, mas aí fiquei com outra dúvida.
- Diga...
- E se eu for para a casa de um parente fora da cidade?
- Ah, aí é sempre desalojado!

Ainda bem que ele não quis complicar, né?

Eu só me pergunto quem vai consertar o desastre e os estragos jornalísticos provocados pela própria Defesa Civil...

sábado, 31 de janeiro de 2009

O carona, a placa e o radialista

Ele e a cidade inteira já estava emputecidos com a situação.

Passou a chuva, veio o sol de rachar que durou dias inteiros. Mas a tal da placa de área alagada continuava lá, aporrinhando a vida do motorista. Desvio pelo paralelepípedo irregular. Lentidão. quase acidente. Todo dia, dia sim, dia sim.

Usava a rua todo dia para ir e voltar do trabalho. Ele e um caminhão de gente que chegava e saída da cidade.

Madrugada de um dia de semana. Voltando do boteco já embalado, fez o que sempre quis. Enfiou o carro popular entre uma faixa e uma placa de interdição. Primeiro obstáculo vencido fácil. Mais 200 metros, tocou o pé no freio. Não dava mais. Placa, placa e placa. Três.

O caroneiro quis aconselhar:

- Melhor fazer a volta, acho que não passa.

Não deu ouvidos. Andou mais, chegou bem perto. Parou

- Tira a placa
- Quê?
- Tira a placa da frente!

O caroneiro desceu do carro meio sem jeito. Lembrava aqueles que nunca tinham pixado nada, olharzão desconfiado. Logo ele, descolado-mór.

Pegou a placa amarela e preta com a ponta dos dedos das duas mãos. levou nem meio metro para o lado.

- Passa?
- Derruba!
- Passa o carro?
- Derruba esta merda!

Deu um safanão meio despretensioso. A placa bambeou para os dois lados, e caiu em pé.

- Derruba esta merda !!!!

O segundo empurrão foi mais que suficiente. Placa de pés e pernas pro ar.

Caminho aberto, caroneiro de volta, caminho livre. Riram, mas o melhor estava por vir.

Dia seguinte, perto das 11 da manhã, passou de novo por lá. A placa continuava lá, de pernas pro ar. O trânsito, nem lá, nem cá. Invasores do espaço estavam seguindo o asfalto. Os certinhos iam pelo desvio esburacado.

Deu mídia. Radialista conhecido na cidade abriu comentário em seu programa de meio-dia

- Olha, gente, hoje passei ali na frente do cemitério e vi uma cena que me chamou a atenção. Derrubaram a placa de interdição, e estão passando. Bom, eu fico pensando que o quão indignado está esse cidadão pra fazer isso. Me coloco no lugar dele, tendo de desviar todo dia. Acho que ele externou o que muita gente estava tendo vontade. Seja lá quem foi, abriu caminho com as próprias mãos, porque a prefeitura simplesmente se omitiu.

À tarde, os guardas já tinham erguido tudo de novo. Mas, talvez por coincidência, pegou a moda. Passou mais uma semana, e cada noite, um doido derrubava.

Até a prefeitura "nova" tomar vergonha na cara e começar a mexer no barranco, motivo de toda aquela interdição. Tiraram os cavalentes dez dias depois.

... E dizem que bêbado só faz merda.