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quinta-feira, 11 de março de 2010

Supersincero mode off

Faz uns dez dias que isso não sai da cabeça. Com tantas mudanças à vista, porque não mudar, ele mesmo, algumas coisas que o incomodam?

Por que se tornara tão grosseiro?
Por que um deboche tão visceral?
Personalidade tem limite.
Uma espécie tranca social.
Que, ele sabia, tinha facilidade para arrombar a fechadura.
O problema é fazer isso sempre.

Poderia vir de longe, lá de 2002/03, quando delfinhou, incrédulo, diante de mentiras deslavadas.
Aquelas que o fizeram se fechar numa caverna submersa, fria. Mas com vida escondida.
Dessas que o Discovery encontra, mergulha, filma, e a gente diz: "caramba, que troço bonito"

Seria, então, a úlcera surpreendente que teve em 2009?
Estava lá, aquele buraco no estômago
Diagnóstico óbvio: engolindo sapos demais.

Resolveu inverter o processo
Era ele quem botava para fora cobras e lagartos
Muitas vezes, sem cerimônia.
Várias vezes, rebatia com mais força do que recebia.
Parecia querer ficar por cima.

Embrulhado na bandeira da sinceridade
Feriu
Esqueceu das entrelinhas, que ele mesmo valorizava
Confundiu transparência com grosseria.

Esqueceu que seu tamanhão, a voz grave
e o jeito estabanado e explosivo tornavam aquilo exponencial.
Avisado, ele foi
Mas era mais fácil lançar fumaça,
Atear fogo, mudar o foco.
Ainda é.

Insistiu e decidiu.
Começaria devagar, Engolindo um sapo ou outro.
E quando se desse conta, perceberia que aquelas raquetadas não eram mesmo necessárias.

Num Ano Novo com tantas metas ousadas, por que não exercitar sua paciência?



EXERCITANDO A POLIDEZ

Rodrigo. A recomendação aqui é clara: você não poderá agir de maneira completamente espontânea, dizendo tudo o que lhe vem à veneta. Ainda que você saia com a sensação de estar se portando com falsidade, será preciso estratégia e diplomacia para lidar com algumas circunstâncias difíceis. Ande pelas beiradas e evite os confrontos diretos a qualquer custo. Vivemos em sociedade e muitas vezes as circunstâncias exigem “planejamento comportamental”, demandando que aprendamos a sorrir para pessoas que não apreciamos. Sua paciência será recompensada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caligrafia




















Faz três meses que ele jurou: voltaria a ser protagonista.
Controlaria de novo a escrita, mesmo que afobada.
Não importaria se carregasse nas tintas. Era a sua caligrafia.

E com a pena na mão, moveu-a feito um elefante com obesidade mórbida.
É só falta de prática, pensou.
Ou talvez fosse exatamente o que queria naquela hora.

O exagero de Almodóvar
Que deveria, esse sim, ter dirigido "Frida Kahlo" o filme.
Na vida imediatista e intensa, houve tempo para ela, a intensa Frida.
E na frente da TV, as lágrimas dele, que tinham trezentos e vinte e sete motivos para rolar,
Vieram.

Engoliu o salgado, soluçou, tossiu,
Contraiu tanto as mãos que as unhas marcaram fundo a carne.
E agradeceu por existirem
Ele, ela, elas.
As lágrimas.
E as tintas também.