segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Telescópio

Para uma segunda-feira de trabalho, um trecho de um livro que gosto muito:

É uma passagem sobre o conselho que Garcia recebeu de um velho correspondente do Jornal do Brasil na Argentina, quando eles se encontraram por lá, na morte de Peron. Resume muito do que penso sobre o jornalismo. E procuro executar, nessa trincheira contra o texto insoso.



"Você poderia ter escrito tudo isso usando um potente telescópio, de Marte ou da Lua. Está tudo muito bem escrito, isento, neutro, claro, objetivo. Mas está tudo incolor, inodoro e insípido. Certinho demais. Você precisa botar cheiro nisso, sentimento, emoção. Você precisa mostrar para o leitor que você estava lá dentro, ao lado do caixão do Peron, no meio das pessoas que choravam".


Não é novo, não é inédito. Mas é que nem chocolate. De vez em quando, um texto assim faz a gente se deliciar, escrevendo ou lendo.

"Nos bastidores da Notícia", do Alexandre Garcia. Aquele que apresenta o jornal Nacional de vez em quando e tinha um quadro maravilhoso de crônica no Fantástico dos anos 80 e comecinho dos 90.

Boas energias nesta semana!
Vamos sobrevivendo, respirando fundo quando dá - ou quando precisa.

sábado, 26 de janeiro de 2008

O Caçador de sonhos


O barulho do vento, as cores das pipas, do céu muito azul, ainda estão na cabeça. Ficaram adormecidos por alguns meses. E apareceram na telona. O livro não está entre os meus favoritos, o final também não, mas a idéia, essa sim. "O Caçador de Pipas" é bom e ruim, e acho que por isso mesmo é best seller. Tanto filme, quanto livro.

Uma história sutil contada em duzentas e poucas páginas. Ou em parte delas. Gostei muito, muito do começo, da sensibilidade do autor. Mas a volta de Amir ao Afeganistão mais pareceu uma viagem ao México das novelas. Muito drama, exagero. um passo a mais, e outro a mais. Tipo aquele jogador que já fez toda a jogada e quer dar mais um toque.

Estranhamente, aí está um mérito do filme suprimiu aquele dramalhão para levar Sohrab para a América. Ainda bem que Kosehini se achou no final com aquela cena da pipa, que era até previsivel como amarra. Mesmo assim, encanta.

Estava curioso para ver, em segundos, as descrições das cenas que engoliam páginas. Gostei de muitas, como os encontros no alto da colina: "Hassan e Amir, Sultões de Cabul". Hassan, com seu rosto de lua cheia e seu sorriso simples, é incrivelmente parecido com as descrições. Não fosse o lábio leporino, que está naas páginas e ficou de lado na adaptação, seria perfeito.

A conturbada relação entre Baba e Amir também passou meio batida. Uma fala apenas, praticamente. Imaginava baba com um vozerão, um cara grande, tipo um Brutus (aquele do Popeye) de turbante. Mesmo assim, é a melhor atuação entre os adultos. Soraya e o general Taheri também são super Parecidos. Soraya, seus cabelos e seu "nariz adunco". As atuações ficaram devendo. Tudo bem, a gente acostumado com hollywood e novela da globo, e ator do Afeganistão que de repente vira rosto conhecido em todo o planeta. Não foram mal, mas estiveram longe de ser brilhantes. Repito, as crianças foram demais!

Ah! faltou a conversa importantíssima entre Soraya Jan e Amor eles no telefone. E o soco Inglês de Assef, quando pequeno e depois, no Talibã. Muito boa a cena importante do filme, quando pegam Hassan! Maldito trailer, que estraga o segredo logo de cara.

E minha última crítica: Caramba, que mal feita a cena da briga no final. Po, podiam ter caprichado mais. Parecia que tavam com pressa. Outra observação: Tudo bem que deve ter sido um perrengue rodar o filme e falar do afeganistão, mas o quebra-pau dos russos e do Talibã passou quase despercebido.

Não vi outros, mas acho que O Caçador de Pipas mereceu a indicação ao Oscar pela emoção que consegue transmitir. Mesmo se estendendo por duas horas e capando detalhes no livro. Lágrimas, daquela que a gente nem sente que estão chegando, logo vão. Não ardem, só aliviam.


"Há uma maneira de ser bom de novo"
"Por você, faria isso mil vezes"


Difícil quem tenha visto e não tenha saído do cinema com as duas falas no ouvido, como se alguém sussurrasse.
No fundo, mexe com algo que todo mundo deve ter dentro de si: Uma chance de corrigir um erro do passado. É uma história de esperança e desgraça do homem. Comigo, funcionou bem. E A trilha sonora só fez melhorar.

Ainda não viu?

O site oficial é esse aqui e tem muita coisa:

www.kiterunnermovie.com

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

De volta

Acho que uma boa desculpa para tanta demora na atualização é: tirei férias do blog. Ah, como se me consumisse muito mesmo!

Não que seja uma promessa de ano novo. Não que também não seja. Mas vou atualizar com mais freqüência. O que não é lá muito difícil. Tá bom, duas vezes por mês, no mínimo. Quem sabe chego em uma por semana. Fooooorça!

E se é para fazer a falcatrua, que seja total. Então vamos voltar lá atrás. Um pouco antes de eu perder a pasta no Banco do Brasil. Uns 15 anos antes, pra ser exato.

Caí da cama às 6h da manhã lembrando de coisas gostosas da infância. Talvez tenha sido a chuva e o cheirinho de quando ficava em casa (a TV era Telefunken, não tinha controle remoto). Lembro de como esperava por aquele horário no meio da manhã. Era o Clube da Criança (depois mudou de nome). E o canal era Manchete.

Gostei de alguns super-heróis da época, mas poucos como o Jaspion. Aham, tinha boneco, roupa, até fita de vídeo-cassete comprada. Imitava o japa magrelo e cabeludo, tinha o Vinil véio com a tradução super suspeita das músicas de japonês para português.

Curioso. Uma motoquinha que voava, um tanque com uma broca, uma pistola, uma espada e uma nave que virava robô. Caramba, tava bom demais! Ele dava conta de matar, tinha um golpe fatal e pronto. Fora os bonzinhos que também morriam.

Outro dia um sobrinho da Chelle de cinco anos ganhou um boneco desses heróis novos, power rangers, que se desfez em cinco pedaços. Achei que tinha quebrado, mas tava só desmontado. Cada pedaço virou um bicho tipo tigre, pterodáctilo. E esse é só um dos robôs deles.

Antes de tudo isso, de eu e ele, tinha o super-homem e homem aranha, que nem armas usam. E os meus bisnetos, que heróis vão ter?

Voltando para "O Fantástico Jaspion". Vou seguir o exemplo da Chelle e usar mais o recurso de Blog-TV. JASPION, diretõm dõm tunêl do tempõm...


Lembram da abertura?





Eu sempre me perguntava: Por que o Jaspion não esmaga todos os pequenos com o Daileon e acaba logo com isso? Ué, a graça era lutar com os pequenos, investigar, e depois lutar com os monstrengos: "O poderoso Satan-Goss tem o poder de enfurecer o seres e transformá-los em monstros incontroláveis". Acho que era isso.

Taí uma uma versão resumida do Gigante Guerreiro Daileon! (curta pra carregar logo!)




Quando achei que o McGaren tinha ido pro além aparece a Kilza. Meu, essa cena aí ficou na cabeça semanas! Inclusive o que a bruxenga falava.





Depois de levar um monte de porrada, o japaboy manda a Kilza pra terra das bruxas cinzas.



O profeta Edin também morre. Jaspion ficou putasso!




E mata (de vez) o McGaren. Por quê não tinha Youtube naquela época? Teria me poupado muito tempo!!!








BÔNUS:
Entrevista INÉDITA com os atores principais. Valeu, "Iutubiú".



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Dá pra acreditar

No dia em que achei que o meu fundo de investimento tinha me garfado uma grana, Acabei arrumando outro problema: esqueci minha pasta de contas no banco.

Dia 1o, fila, povaréu. E a minha pasta com adesivo do South Park lá. Conta de água, luz, telefone, meus recibos de aluguel, cópia de documentos, de holetirte de salário. Só senti falta de noite, qdo cheguei em casa.


Foi o motivo para ter minha noite de Homer Simpson: cerveja barata, salgadinho, sofá e qualquer merda, tipo novela, na televisão. E foi bom!

Dia seguinte, voltei no banco, ainda com esperança. E não é que guardaram a minha pasta. Nem abriram (pela ordem que estavam as coisas, só eu saberia!). Fiquei feliz, agradeci, é claro. E agora, por coisas simples como essa, dá para acreditar um pouco mais nas pessoas.

Eu ainda acredito.





terça-feira, 2 de outubro de 2007

Teu Passado...

Por aí, encontrei um caco do passado da Mônica Veloso. A minha (argh) colega de profissão que vai sair peladona, depois de tirar a roupa e a máscara do Renan Calheiros. Já não bastasse Tiazinha e companhia com esse papo de estudar jornalismo, moniquinha já era dessas?

Li em alguns blogs: quem estudava com ela dizia que o nariz era mais empinado que os ...... rmm, issaê. Que mal falava com outros alunos e só papeava com o pessoal da Globo. Bom, também pode ser inveja, porque isso, nesse meio, tem de monte...

Isso tudo em 1993, quando eu ainda tava na 6a série!

O vídeo é da época do DFTV, que ela ancorou.
Atenção para alguns detalhes, bem melhores que ela mesma no vídeo:

* O blazer rosa, quatro vezes o número dela. A blusa branca tem um detalhe na gola
* A Délis Ortiz bem novinha, com uma matéria simples e bonitinha. Talento, né!
* O MELHOR: O patrocínio da Fundação Luiz Estevão. Quem não se lembra do ex-senador picareta?

Tinha mesmo que acabar em porpeta...


terça-feira, 18 de setembro de 2007

Saía eu do Angeloni (sempre moro perto dos Angeloni, em toda cidade que passo, vai entender?). Carrinho com meia dúzia de coisas de comer e mais meia dúzia de limpar a casa. Cruzava a porta da frente, após descer a rampinha lateral. Aí, o carrão parou.

Não lembro a marca. Era um banheirão. Um arrojado banheirão preto, encerado e marcado por uma garoa. Estacionou bem na vaga do "carga e descarga". Puxou o freio de mão e abriu a porta.

Eu, instintivamente, sacudi a cabeça e baixei, como quem diz "não, não...". O tiozão saiu do carro. Cabelo duro pra trás, garganteou:

- É carga e descarga, mas eu nã0 vou demorar, viu? Não precisa ficar balançando a cabeça - falou, com sotaque inconfundivelmente carioca. E bateu a porta.

Sorri por dentro. Abri a porta do caroneiro do Mr. Eko e coloquei as compras atrás do banco, bem devagar. Ainda degustava a indignação descabida do lambido quando ele apareceu, lá de trás, gritando de novo. Eu já me dirigia para a porta

- Viu? Eu já voltei. Eu não demorei, disse o cara, com uma sacola (que não era de compras na mão).

Acenei que sim com a cabeça, estendi o polegar. Mas mantive meu risinho nos lábios. Entrei no carro, o homem veio atrás:

- Quem você acha que é pra ficar me tirando assim, hein? Te conheço?

Respondi, ainda sorrindo:

- O meu nome é Rodrigo. E devo ser bem importante pra você dar tanta bola pro que eu penso, né?

Acho que vi fumacinhas saindo da cabeça dele, quando deu meia volta. Eu engatei a ré, depoiis a primeira. Entreguei o cartão do estacionamento e saí, com o cara logo atrás. Acelerava sem estar engrenado. Cruzamos duas esquinas juntos, até que ele quebrou à esquerda e sumiu, acelerando seu possante. Eu ia acenar. Mas não precisou.

Falou!

sábado, 15 de setembro de 2007

Nem tanto

No auge das minhas alegrias efêmeras, acordei assim. Não como ontem, e tomara que nem como amanhã. Vai ver, sonhei que enfiavam lâminas incandecentes entre as minhas unhas e meus dedos, fazendo com que descolassem.

Dói na alma. E logo a alma, que é o segredo do negócio?

Sobra o humor. Não tão refinado. Nem precisa! Por mim, já basta ser divertido.

Dois exemplares de grátis aqui embaixo! Um que sempre me anima, do filme "Segredo da Pantera Cor-de-Rosa". A cena do Steve Martin é impagável. Chego a murmurar "dambãrguer" quando ninguém espera. Arram, atestado de sanidade em dia!




Esse outro é um contrapeso. Tá puto? Ele também! Terça Insana, bem rodado e bem bolado.


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Feliz


Sou suspeito pra falar. Mas fiquei feliz comigo mesmo pelo resultado de um trabalho. Dos melhores que fiz na vida. Uma série de reportagens como todo repórter gosta: com personagens, ambientação, boas histórias e vida.

É a série "7 dias no Paraíso". Na verdade, o bairro mais pobre de Joinville. Morei lá. Ouvi choros, tiros, gargalhadas, xingões e palavras de carinho. Alguns rostos ainda estão muito claros na minha mente.

Mesmo sendo crítico demais comigo, hoje, dois meses após a publicação e A NOTÍCIA, ainda considero tudo super legal. Mesmo imaginando possíveis modificações.

O trabalho virou exposição. Foi primeiro ao bairro, e agora está no shopping cidade das Flores, em Joinville. Então, três vivas para todos os colegas que ajudaram esse pequeno sonho a se tornar real.

Pra terminar, um abraço forte no meu parceiro de jornada: Pena Filho, o brilhante fotógrafo que me acompanhou nessa jornada. O cartaz da foto ganhamos de uma leitora, que acompanhou a série do início ao fim.

Amanhã é folga.
Mas quem disse que eu consigo?

domingo, 9 de setembro de 2007

A Viagem

Resolvemos ir pra Floripa nós cinco. Nunca tínhamos feito isso. Não todos juntos, com o "Mr. Eko", nosso meio de transporte.

O Zeca Baleiro começou cantando. Acho que tava querendo ver qual é a da Ana Carolina:
//Sempre que te vejo assim, linda, nua, e um pouco nervosa...//







O Gessinger tava na frente. Sempre na frente. Uns 200 quilômetros, na bendita highway 101 norte (pra quem tinha que encarar a sul antes... é o céu!). Quase meia noite, mas eu desobedeci o cara. Se ele fez aquela merda com o cabelo, eu faço as minhas também, ué.

Fui só até 110. Porque 120, 160, não pode
E acho que o motor do Eko não agüenta.

O Zeca ainda tava animado, como se cantasse no Baile do Baleiro. "Vamos pra babylon??". Tava tudo na boa. Paramos pra encher o tanque, esvaziar a bexiga e comprar um rufles em Itajaí. Meus caroneiros foram gentis. Não torceram o nariz pro Ômega com cinco cuecas marombados que saiu cavando, com grunhidos saindo da caixa de som estourada.

Tava rolando muito som até os lados de Tijucas. Aí, do nada, a Ana se atravessou. Cortou a minha frente, numa reta quilométrica.
//Hoje eu acordei com sono /com vontade de brigar / Eu tô manero pra bater pra revidar provocação//

E ela mesma pulou pro refrão:
//Hoje você deu azar / hoje você deu azar / de que vale o seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça?//





Aninha foi gente boa. Nem me chamou de careca. Tudo bem que a cabeça tava zonza depois de 14 horas de trabalho. Mas por quê, por quê, Cérebro, você me faz parecer o Pink às vezes?

Quando ela soltou o vozerão, o Zeca e o Gessinger emudeceram. Liguei o pisca, saí do carro na 101 escura. Tava em algum lugar entre Tijucas e Governador Celso Ramos. Longe e tarde demais pra voltar. E enrascado o suficiente pra seguir

Quando arranquei, o pneu cantou, quem berrou fui eu. Descarreguei nos gritos a tensão dos dias, dos últimos e primeiros. Xinguei, chorei de raiva, fiz, eu mesmo, a minha louca tempestade. Aninha nem preciso abrir o bico.

O Zeca se animou:
// Um rio raso, um passo em falso //. Ainda tentou sugerir um atalho, um desvio

E o Gessinger escancarou:
//Eu vejo o horizonte trêmulo / Eu tenho os olhos úmidos

/Eu posso estar completamente enganado / Eu posso estar correndo para o lado errado
/ Mas a dúvida é o preço da pureza / E é inútil ter certeza //






Pois eu tive. Não estava lá no banco de trás. Nem em nenhuma outra parte do carro. Gritei de novo, mais alto que o som do Zeca e a gritaria deles todos na minha cabeça. A maldita tempestade na highway.

Só aí, o Lenine, que tava caladão, tirou o violão e começou a dedilhar. O braço de madeira resvalou na minha nuca, mas eu não liguei. O Filho da mãe fez todo mundo calar a boca, com meia dúzia de acordes. Relutei no começo, mas o cara insistiu, e todos silenciaram, até uma parte mais ou menos assim:

//E a loucura finge que isso tudo é normal / Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência


Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder/E quem quer saber
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,a vida não para não
. //





O que parou foi o silêncio. Quando o pernambucano fez o bis da letra os outros três cantaram acapela. O Gessinger não quis aparecer, e a Ana não fez falsete. O Baleiro pareceu ter deixado as diferenças entre eles de lado. E o Lenine emendou "A ponte", logo que vi as luzes da Hercílio Luz. Foram cantando eles. Eu só dublei.

E eu, afinal, curti. Liguei o foda-se com um dedo e subi o som com outra.
Ainda deu tempo deles rolarem outras várias. Tudo dentro do Mr. Eko. Até eu, dirigindo e sem habilidade pra cordas, lembro de ter tocado violão, abafado pelas palmas deles. A Ana fez um cafuné rápido que me sacudiu a cabeça, como quem diz "deixa disso, rapá".

Deixei até chegar em casa. Eles ficaram no carro quando minha irmã veio me receber. Aí lembrei de novo do que tinha esquecido. Lenine até solou no violão de novo, mas não me contive. Com sono, puto e com sede, subi. Nem peguei a minha mala, com três pares de sapato, quatro camisetas, uma meia e nenhuma roupa de casamento. Eles se acomodaram no carro mesmo. Já tão acostumados a lugares bem mais estreitos como CDs e DVDs, onde eles moram.


Me convenci de que a culpa não foi minha, não. Foi do Murphy. Tinha que ter o desgraçado do quinto passageiro pra escangalhar a viagem!!!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Bip-bip!


No carro, indo para uma pauta sobre headhunters (caça-talentos de executivos de empresas), lembrei do Coyote, aquele que sempre corre atrás do Papa-léguas (bip-bip), mas nunca pega.

O Papa-léguas (bip-bip) tem o talento nato de correr, e escapar de todas as enrascadas que o Coyote-caçador arma. Enquanto os pedestres iam mais rápido que o Mille branco, me convenci de que o Coyote é um cara com características que muita gente gostaria de ter na sua equipe.

Cara, ele é incrivelmente persistente. Mais persistente que o pessoal da esquadrilha do dick vigarista, que quer pegar o pombo-correio. O Coyote não desiste. Faz praticamente a mesma coisa todos os episódios: precisa capturar o Papa-léguas (bip-bip).

E cada vez, inventa algo diferente. Ou seja: sempre encontra outra maneira de fazer a mesma coisa. Por mais chato que isso possa parecer, ele muda, inventa, aperfeiçoa. E é esmagado, trucidado, queimado, explodido, picado mas ta lá. Ele e seus impagáveis produtos acme, que só podem sair da cabeça dele.

Quantas vezes eu reclamei da maldita pauta que se repete sempre? Aquela da chegada do verão, do movimento nas praias, das redundâncias que dizem o que todo mundo já sabe, “da imprudência dos motoristas que é a principal causa de acidentes?"

Então, agora, o Coyote será meu guru pessoal e profissional. Vou mudar o caminho, sem mudar o destino. Vou fazer diferente. Vou imitar o Coyote-coyó.

Mas um dia, eu pego o Papa-léguas. Daí eu solto, porque senão perde a graça.
* Aprendi a postar vídeo. Coyote se deu bem! Ou quase...