sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Indiada Alanesca


Alanis Morissette marcou minha adolescência e de milhões no mundo inteiro lá por 1997. Por isso, quando tocou em Floripa há quase duas semanas, (vídeo podre lá embaixo),a canadense teve um público de 20 e poucos e 20 e muitos anos. Pouco menos que os 30 e tantos dela.

Nostalgia que fez muita gente que detesta fila voltar alguns degraus e encarar chuva e horas de espera pra ver a gringa. Eu e a Chelle (ela, bem mais parceira minha que admiradora da Alanis) tomamos umas três horas de Chuva. Mas Chuva de escorrer até dentro dos tênis, de jorrar água da camiseta. De dar frio com aqueles ventos encanados de Jurerê.

Alanis subiu no palco mais de três horas depois de a gente entrar. Chegamos meio cedo, e isso merece um postzinho só.

Chuva e vento eu reclamo de ranzinza. Mas no fundo adoro. Sempre dá vontade de sair correndo na chuva. Claro, com a certeza que volto logo para o quentinho, assim que quiser. No show, já tava q era um maracujá de tão murcho, esperando o som.

Valeu. Foi um show internacional bem bom depois de muitos anos. Coincidência, há uma década eu também gostava da Shakira (tá, confesse!), ainda latina e gordinha. Tocou exatamente no mesmo lugar, que tinha, claro, outro nome e outro palco. E nauela noite também choveu.

And isn't it ironic, don't you think?

Confesso que lá no meio do show, depois da terceira música lenta seguida xinguei a Alanis por causa do frio.

- Canta uma rápida que tá gelado, sua vaca.

Foi só murmúrio. Depois passou

O show pareceu mesmo sair do final dos anos 90. Muitos sucessos daquela época. Som de primeira, parecia muito com um CD que a Alanis gravou em 2006, em Salt Lake City. Só que com guitarras mais sujas.

Depois de um ano meio infernal, 2009 com um começo bacana. De alguma forma, a Ilha, o show, o momento bem legal com a namorada, me fizeram resgatar um pouco do Rodrigo perdido nessas andanças todas. Estourei um pouco do plástico bolha que está ao redor.

Chega de asfixia.


sábado, 31 de janeiro de 2009

O carona, a placa e o radialista

Ele e a cidade inteira já estava emputecidos com a situação.

Passou a chuva, veio o sol de rachar que durou dias inteiros. Mas a tal da placa de área alagada continuava lá, aporrinhando a vida do motorista. Desvio pelo paralelepípedo irregular. Lentidão. quase acidente. Todo dia, dia sim, dia sim.

Usava a rua todo dia para ir e voltar do trabalho. Ele e um caminhão de gente que chegava e saída da cidade.

Madrugada de um dia de semana. Voltando do boteco já embalado, fez o que sempre quis. Enfiou o carro popular entre uma faixa e uma placa de interdição. Primeiro obstáculo vencido fácil. Mais 200 metros, tocou o pé no freio. Não dava mais. Placa, placa e placa. Três.

O caroneiro quis aconselhar:

- Melhor fazer a volta, acho que não passa.

Não deu ouvidos. Andou mais, chegou bem perto. Parou

- Tira a placa
- Quê?
- Tira a placa da frente!

O caroneiro desceu do carro meio sem jeito. Lembrava aqueles que nunca tinham pixado nada, olharzão desconfiado. Logo ele, descolado-mór.

Pegou a placa amarela e preta com a ponta dos dedos das duas mãos. levou nem meio metro para o lado.

- Passa?
- Derruba!
- Passa o carro?
- Derruba esta merda!

Deu um safanão meio despretensioso. A placa bambeou para os dois lados, e caiu em pé.

- Derruba esta merda !!!!

O segundo empurrão foi mais que suficiente. Placa de pés e pernas pro ar.

Caminho aberto, caroneiro de volta, caminho livre. Riram, mas o melhor estava por vir.

Dia seguinte, perto das 11 da manhã, passou de novo por lá. A placa continuava lá, de pernas pro ar. O trânsito, nem lá, nem cá. Invasores do espaço estavam seguindo o asfalto. Os certinhos iam pelo desvio esburacado.

Deu mídia. Radialista conhecido na cidade abriu comentário em seu programa de meio-dia

- Olha, gente, hoje passei ali na frente do cemitério e vi uma cena que me chamou a atenção. Derrubaram a placa de interdição, e estão passando. Bom, eu fico pensando que o quão indignado está esse cidadão pra fazer isso. Me coloco no lugar dele, tendo de desviar todo dia. Acho que ele externou o que muita gente estava tendo vontade. Seja lá quem foi, abriu caminho com as próprias mãos, porque a prefeitura simplesmente se omitiu.

À tarde, os guardas já tinham erguido tudo de novo. Mas, talvez por coincidência, pegou a moda. Passou mais uma semana, e cada noite, um doido derrubava.

Até a prefeitura "nova" tomar vergonha na cara e começar a mexer no barranco, motivo de toda aquela interdição. Tiraram os cavalentes dez dias depois.

... E dizem que bêbado só faz merda.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A bicicleta e o porteiro

Já tinham terminado o namoro. Ele, inexperiente, até que tinha suportado bastante. O cara era muito na paz. Mas a guria? Ah, ciumenta e anti-social. Tá, era um porre mesmo.
Saíam com amigos dele, ela mal falava com os outros. Cara de paisagem, e paisagem de dia cinzento no meio do concreto. Isso quando saíam. Ela viajava? Nem muito aí pra ele.

Foi mesmo o melhor.

Depois do fim, fez o que muitos diziam ser certo: se livrar da maioria das lembranças. Fotos foram para a fita. Conversas botaram algumas mágoas para fora. 

Mas a bicicleta ergométrica continuava ali. Não era sua. Nem dela. Era emprestada da sogra. Aquela, sim, era gente boa com ele - é o que ele dizia

- Tu usa muito essa ergométrica?
- Não, não
- Então me empresta?
- Arrã.

A cara-de-pau já não impressionava os amigos. Mas ele lá foi ele, com a bike enfiada no bagageiro do carro popular.

Se ele usou? Meia dúzia de vezes.
Mas a herança estava lá. E ele não queria mais o menor contato com o lado de lá.

Aí, descendo o prédio de samba-canção para ir ao mercadinho (fazia isso com certa frequencia), parou no porteiro. Para ele, todos os porteiros eram gente fina.

- sabe de alguém que quer comprar uma bike ergométrica?
- quer quanto nela?
- Uns cem pila
- tá inteirinha?
- quer ir lá ver?

Não demorou, o negócio estava fechado. O homem-cueca ajudou a descer a bicicleta, feliz da vida.

Só não faço idéia da explicação que ele deu, semanas depois, quando a ex-sogra ligou pedindo a ergométrica. Devolver, eu tenho certeza que ele não devolveu.




sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Papagaio no apito



O árbitro Gary Bailey deu "cartão vermelho" ao papagaio chamado Me-Tu, de nove anos, em um jogo amador, no Reino Unido, depois que o pássaro começou a imitar o barulho do apito, o que provocou confusão em campo, segundo o jornal inglês "Daily Mail".

O papagaio foi levado na gaiola por sua proprietária Irene Kerrigan, de 66 anos, ao jogo envolvendo Hertford Heath e Hatfield Town, em um torneio de veteranos, porque o pássaro gosta de observar os jogadores correndo. "Eu já mandei alguns jogadores para o 'chuveiro', mas eu nunca tinha expulsado um papagaio", disse Bailey. 

Aos 10min do segundo tempo, segundo o árbitro, um jogador partia com a bola para o ataque, mas, de repente, ele ouviu um apito e parou. No entanto Bailey destacou que não havia soprado o apito em nenhum momento. Após uma breve parada, ele deixou o jogo amador continuar, mas o papagaio seguiu imitando o barulho do apito, interrompendo o jogo outras vezes.

 Primeiro, o juiz pensou que era a própria Irene Kerrigan quem estava fazendo o ruído. "Não sou eu, é o meu papagaio", afirmou a mulher para o árbitro. Sem alternativas, Bailey teve que expulsar o pássaro de campo porque ele estava arruinando o jogo. Evidente, sua dona também foi mandada embora.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Táxi


Madrugada, meia dúzia de taxistas conversavam no ponto. 

Táxi é também loteria. O motorista que está na vez reza para pegar boas corridas. Se der errado, vai pro fim da fila sem a bufunfa.

Mas também pode dar um jeitinho

- Boa Noite
- Pra onde, patrão
- Hotel Íbis
- Sim, sei
- Mas quanto vai dar
- Levo o senhor lá por R$ 5
- Obrigado

O velhinho, recém chegado na cidade, ia se dirigindo para a porta de trás. O motorista já tinha pegado a sua mala. com a mão direita.

Com a esquerda, trancou o carro, deois catou o idoso pelo braço e saiu andando ráaido.

- Que é isso, meu senhor?
- Estamos indo para o hotel.

A conversa parou por aí. Mas nem daria tempo de se alongar.O Hotel ficava na outra quadra.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Quarto errado

Acho que, afinal, encontrei um sentido para este blog. Publicar histórias engraçadas, cabreiras e absolutamente verídicas. 
Coisas de trabalho, coisas que a gente escuta no carro.
Claro, nem sempre vou contar quem é o autor da façanha.

Lá vai uma:

Verão do início dos anos 2000. Galerinha. Um que dorme na casa de outro, que chama mais não sei quem pra sair, e acaba ficando esparramado na sala. Casa cheia. Alugada, claro.

Nosso herói já tava embalado na balada. Curtiu, bebeu, beijou. E se perdeu da galera. Com homem tem mais aquele esquema de "ah, deixa o cara, se deu bem, ele sabe como chegar". Ainda mais se o botequinho é meio perto de casa.

Cinco da matina, bebaço, chegou no predinho de quatro andares. Subiu as escadinhas do térreo e foi logo fazendo o que estava combinado. Entrou pela sacada do apê, que estaria só encostada. Olhou aquela meia dúzia de colchões na sala, não deve dúvida. Estava a salvo. Tirou calça, camisa, sapato, relógio. Se jogou num cantinho de colchão. Mal se cobriu.

Quando acordou, já perto do meio dia, foi o maior cagaço. Só não sei se dele ou das pessoas que estavam ao redor. 

- Que merda é essa? 
- Quem é essa vó com essa canga horrorosa?
- E essas crianças?
- Cadê a minha calça, caralho?

A familiarada se reuniu ao redor do dorminhoco. O que tinha cara de paizão fez o óbvio.

- Cara, quem é tu?
- Quem são vocês?!!?!? Cadê todo mundo?

Descobriu, segundos depois, ainda tentando se enrolar no lençol, que tinha pulado a sacada errada. Se vestiu, pediu desculpas, e ainda tomou um gole de café.

Saiu pela porta, deu dois passos, e entrou. Outro vuco-vuco. Queriam saber onde o jaguara tinha se enfiado. 

- Dormi aí do lado...

Na praia e no boteco ele foi de novo. Mas naquele prédio, não voltou foi nunca mais.

sábado, 9 de agosto de 2008

Voltei, e de bicicleta!

Eram umas cinco da manhã de ontem, sexta. Eu tinha acabado de sair do boteco. Tava um frio que não fazia meses. Chuva, vento frio.

Eu sabia que ia tomar umas cervas depois do trampo e me precavi: fui trabalhar de bike. Mas foi só na volta pra casa, com a chuva, estrada vazia e uma música legalzinha do Engenheiros (A Onda) que me lembrei, sei lá porquê, deste blog.

Lembrei que o meu último post foi exatamente sobre a bike.

Subindo a morrebinha da Marquês de Olinda me deu um desespero que me dá de vez em sempre. O de a minha vida ter passado e eu não ter coisas legais apra contar. Coisas que aconteceram fora do trabalho.

Legais, quero dizer, diferentes. Coisas que a gente conta para os outros e faz a gente rolar de rir. Ou, no mínimo, me faz lembrar e pensar "pô, que bom, tô oxigenado".

Quando estava quase descendo da bike (mesmo com marchas), lembrei de algumas coisas. Ufa! Tõ vivo, não como realmente gostaria. Mas tô lá nos 65, 70%. O que tá de bom tamanho.

Então a volta é pra isso. Aloooow, estou vivo. E também em outro endereço, profissional.

Tô que nem correspondência que chega em dois lugares:

Blog do Trabalho, em parceria com um amigo gente boa e sarcástico:

www.an.com.br/impedidos

A partir de hoje:

Humorômetro:

( ) Vermelho (Completamente puto da cara)
( ) Laranja (Emputecido, melhor me deixar na minha)
( ) Amarelo (Tô meio imprevisível. Mau-humor à vista
(X) Azul (Tô legal, sossegado, fazendo piadinha e reclamando menos)
( ) Alguma coisa muito boa deve ter acontecido. Mas também não vou contar qual é.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pedala, Rodrigo!

É curioso como uma obrigação pode virar diversão. Mesmo em situações aparentemente bobas. Como essa:

Realmente não tenho muita paciência para academia. Ao menos desde que saí de Piçarras. Lugar pequeno, pessoal bacana, donos-professores gente boníssima.


Agora não. Muita gente, horário ruim (mesmo que seja a hora que der), exercícios que me dão sono. E vontade de ir praticamente só na quarta-feira, quando tem jogo bom na TV, quando a gente está na esteira.

Enrolei, fiz que ia e não fui, até que mandei arrumar a bicicleta. Não a minha, porque a que eu tinha roubaram no meu antiiigo prédio e tiveram a cara de pau de me deixar uma muito da podre.

Prejú no bolso pra arrumar a magrela. E a barriga nada de sumir. Primeiro passeio. Uma morrebinha. Cheguei esbaforido no bairro Iririú, só uns quatro ou cinco quilômetros do meu apê. Ainda pedalei, na chuva. E me senti esperto porque fiz uma gambiarra para o MP3 ficar pendurado. Graaaaaande coisa!

Andei mais uns dois dias. Até o centro. Parada no shopping pra comer. Volta. Arruma mais a bike. Coloca outro descanso, dá um banho esfregando tudo. Quebra o selim, arruma. Põe retrovisor.

E não é que comecei a curtir? Eu, a bike e o vento.

Acho que o bom é não ter pressa. Como disse um amigo meu, pedalante profissional. "É o tempo ideal. A pé não dá, e de carro tu não percebe nada". Ainda que sutilmente, transgride-se. Uma contramão muito bem-vinda, que evita a subida e ainda serve atalho.

Dane-se a calçada, é só empinar a roda da frente. E dependendo da hora e lugar, eu vou muito mais rápido que os carros. Que realmente não tão muito aí pros bicicleteiros e ciclistas. Qual a diferença? Eu sou bicicleteiro. O Márcio May é ciclista. Somos quase dois extremos. Tem gente que não concorda muito com a minha classificação, "pejorativa". Só podem ser bicicleteiros que nem eu, né?

Agora que venho e vou para o trabalho de bike quase todo dia (e sem cansar!), ainda me surpreendo e me curto o que vejo e percebo. Como passei tantos anos sem isso? Não é tudo que deveria fazer. Mas já ajuda um pouco.
Nem precisa fazer piadinha. Eu mesmo me encarrego disso: pedala Rodrigo!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Flores


Esse é um daqueles pensamentos que todo mundo já teve, mas dificilmente coloca em prática. Combina até com o merchan do BESC (Banco), de "dar valor ao que realmente importa".

O pai de um amigo está mais perto de Deus, agora. Foi ontem, por causa de um desses câncer que tiram tanta gente boa do mundo. No velório, não conhecia muita gente. Pra falar a verdade, nem o pai do meu amigo.

E daí? A gente compartilha da dor dos outros, tanto quanto da alegria. Que bom - e que ruim - que é assim. Eu via lágrimas sofridas, olhares perdidos e abraços sinceros. Mas não tirava o os olhos das coroas de flores. Eram muitas. Contei doze. De associações, de clubes, empresas, amigos, e claro, da família. Eram como são as coroas, melancólicas e bonitas.

O que me veio à cabeça é: tomara que ele tenha recebido tantas flores, tantos louros e carinhos quando vivo. Fiquei pensando a última vez que dei flores a alguém e fiquei com vergonha de mim mesmo.

Não faltou oportunidade, porque bastava criá-la. Acho que só não tive iniciativa. Ou fui mais um refém desse cotidiano mais ou menos, em que a gente respira, mas não sente os cheiros. O ar entra e sai instintivamente, mas o perfume das rosas ou o cheiro de podre, depende um pouco mais da nossa percepção.

Eu, que tanto gosto de presentes fora de hora e data, ignorei tudo isso por meses. E agora, que retomo momentaneamente a consciência, continuo ignorando. Até que faça algo, de coração.

Espero que quem ler, também.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Telescópio

Para uma segunda-feira de trabalho, um trecho de um livro que gosto muito:

É uma passagem sobre o conselho que Garcia recebeu de um velho correspondente do Jornal do Brasil na Argentina, quando eles se encontraram por lá, na morte de Peron. Resume muito do que penso sobre o jornalismo. E procuro executar, nessa trincheira contra o texto insoso.



"Você poderia ter escrito tudo isso usando um potente telescópio, de Marte ou da Lua. Está tudo muito bem escrito, isento, neutro, claro, objetivo. Mas está tudo incolor, inodoro e insípido. Certinho demais. Você precisa botar cheiro nisso, sentimento, emoção. Você precisa mostrar para o leitor que você estava lá dentro, ao lado do caixão do Peron, no meio das pessoas que choravam".


Não é novo, não é inédito. Mas é que nem chocolate. De vez em quando, um texto assim faz a gente se deliciar, escrevendo ou lendo.

"Nos bastidores da Notícia", do Alexandre Garcia. Aquele que apresenta o jornal Nacional de vez em quando e tinha um quadro maravilhoso de crônica no Fantástico dos anos 80 e comecinho dos 90.

Boas energias nesta semana!
Vamos sobrevivendo, respirando fundo quando dá - ou quando precisa.