sexta-feira, 12 de março de 2010

Davi fora da caverna

Na praia, hoje de manhã, comentei com o Rogério K., colega de trabalho e amigo aqui de Joinville.

- O filho da Luciana Zonta é um cara sortudo. E vai ser um ser humano muito legal, pode esperar.

Era a engrenagem de um papo que nós - eu e Rogério - sempre gostamos. Como as pressões sociais/formais podem nos fazer infelizes. O quanto a gente confunde responsabilidade com infelicidade.

E como isso costuma mesmo rolar, com gente de todas as idades. Tudo certo, carro, família, casa, e o cara, assim, despiroca. Resolve ser ele. Ou antes disso, descobrir quem ele é de verdade.
Uma conversa que já foi parar no Mito da Caverna, de Platão.

Voltando ao Davi e à Lu:

Por incrível coincidência, o galeguinho está completando 1 ano hoje. É fofo e já viveu muita coisa que, de alguma maneira, vai refletir no que ele será.

Eu reproduzo aqui um trechinho do post da Lu no blog Cria na Estrada assinado há três meses por ela e pela Caroline Cézar, que eu não conheço, mas já gosto pelo jeito mãe de ser:

Há um ano Davi é crianaestrada. Ficar parado não é com ele. Em 365 dias, Davi já fez um pouco de tudo. Já tomou banho de mar, de piscina, de rio, de cachoeira. Já foi para longe e para perto. Já fez carteira de identidade, já saiu do país, viajou de carro, avião, navio, metrô.

Em um ano, Davi já pisou na grama, na pedra, na areia da praia, no asfalto. Já olhou por-do-sóis, já dormiu na rede, já tomou vento no rosto, posou para milhões de fotos, acenou para as pessoas, já viu Rally Dakar ao vivo e a cores.


Parabéns então, Davi, Lu e Adão
!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Supersincero mode off

Faz uns dez dias que isso não sai da cabeça. Com tantas mudanças à vista, porque não mudar, ele mesmo, algumas coisas que o incomodam?

Por que se tornara tão grosseiro?
Por que um deboche tão visceral?
Personalidade tem limite.
Uma espécie tranca social.
Que, ele sabia, tinha facilidade para arrombar a fechadura.
O problema é fazer isso sempre.

Poderia vir de longe, lá de 2002/03, quando delfinhou, incrédulo, diante de mentiras deslavadas.
Aquelas que o fizeram se fechar numa caverna submersa, fria. Mas com vida escondida.
Dessas que o Discovery encontra, mergulha, filma, e a gente diz: "caramba, que troço bonito"

Seria, então, a úlcera surpreendente que teve em 2009?
Estava lá, aquele buraco no estômago
Diagnóstico óbvio: engolindo sapos demais.

Resolveu inverter o processo
Era ele quem botava para fora cobras e lagartos
Muitas vezes, sem cerimônia.
Várias vezes, rebatia com mais força do que recebia.
Parecia querer ficar por cima.

Embrulhado na bandeira da sinceridade
Feriu
Esqueceu das entrelinhas, que ele mesmo valorizava
Confundiu transparência com grosseria.

Esqueceu que seu tamanhão, a voz grave
e o jeito estabanado e explosivo tornavam aquilo exponencial.
Avisado, ele foi
Mas era mais fácil lançar fumaça,
Atear fogo, mudar o foco.
Ainda é.

Insistiu e decidiu.
Começaria devagar, Engolindo um sapo ou outro.
E quando se desse conta, perceberia que aquelas raquetadas não eram mesmo necessárias.

Num Ano Novo com tantas metas ousadas, por que não exercitar sua paciência?



EXERCITANDO A POLIDEZ

Rodrigo. A recomendação aqui é clara: você não poderá agir de maneira completamente espontânea, dizendo tudo o que lhe vem à veneta. Ainda que você saia com a sensação de estar se portando com falsidade, será preciso estratégia e diplomacia para lidar com algumas circunstâncias difíceis. Ande pelas beiradas e evite os confrontos diretos a qualquer custo. Vivemos em sociedade e muitas vezes as circunstâncias exigem “planejamento comportamental”, demandando que aprendamos a sorrir para pessoas que não apreciamos. Sua paciência será recompensada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caligrafia




















Faz três meses que ele jurou: voltaria a ser protagonista.
Controlaria de novo a escrita, mesmo que afobada.
Não importaria se carregasse nas tintas. Era a sua caligrafia.

E com a pena na mão, moveu-a feito um elefante com obesidade mórbida.
É só falta de prática, pensou.
Ou talvez fosse exatamente o que queria naquela hora.

O exagero de Almodóvar
Que deveria, esse sim, ter dirigido "Frida Kahlo" o filme.
Na vida imediatista e intensa, houve tempo para ela, a intensa Frida.
E na frente da TV, as lágrimas dele, que tinham trezentos e vinte e sete motivos para rolar,
Vieram.

Engoliu o salgado, soluçou, tossiu,
Contraiu tanto as mãos que as unhas marcaram fundo a carne.
E agradeceu por existirem
Ele, ela, elas.
As lágrimas.
E as tintas também.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desastre é com a Defesa Civil

Esse tornado que passou por SC semana passada levou um monte de coisa boa, inclusive vida. A tristeza é grande lendo textos, ouvindo histórias e observando a destruição pelas lentes.

Mas tem coisa "inacreditível", que só deve acontecer com a nossa bendita Defesa Civil de SC.

Sexta-feira de noite, quase sábado, dúvida maldita para liberar a página: o que raios é uma pessoa deslocada? Alguém que foi arrastada pela ventania, pela água, pela terra?

- Alô, é da Defesa Civil Estadual?
- Sim senhor
- Com quem eu falo?
- Aqui é o Sargento Garcia (nome alterado para preservar a fonte)
- Ôooo, sargento.... o senhor pode me explicar qual a diferença entre desabrigado, desalojado e principalmente, deslocado?
- Ah, pois não...
- É que desabrigado era quem ia para ginásio, essas coisas. Desalojado ia para casa de amigos, parentes né, sargento?
- Isso... isso
- E o deslocado, é o que?
- Ah, então... é que agora tem essa categoria... Deslocado é o seguinte. Separamos agora quem vai para casa de amigos e parentes. Quem fica com amigos é deslocado. E família, aí continua desalojado
- Mas por que isso? Não é mais difícil de contar?
- Olha... então, foi o que criaram...
- Tá certo, então... obrigado viu seu Garcia?!
- Qué isso, tamos às ordens.


Tava difícil de acreditar. Foi melhor consultar os colegas de outro jornal

- Deslocado? Pra gente disseram que é quem precisa sair da cidade.
- É... faz mais sentido...

tã tã tu tu tu tã tã tã
tuuuuuuu....

- Alô, sargento Garcia?
- Pois não?
- Então, eu falei com o senhor agora há pouco... tá lembrado?
- Sim, claro, claro, prossiga
- É que eu ainda tô com dúvida. Uns colegas da imprensa disseram que deslocado é quem sai da cidade. E o senhor me disse que é a pessoa que vai para a casa de amigos. O que tá certo afinal?
- Olha....

Silêncio curto e interminável

- Na verdade, viu... as duas coisas tão certas
- Hã?
- É que funciona assim... Na verdade deslocado é um termo usado bem para o interior sabe... Então... no interior geralmente as pessoas não têm amigos na mesma cidade... porque as cidade são pequenas... daí elas vão para a casa de amigos, mas em outras cidades... entendeu?

Silêncio do lado de cá...

- Sim, sim... entendi, mas aí fiquei com outra dúvida.
- Diga...
- E se eu for para a casa de um parente fora da cidade?
- Ah, aí é sempre desalojado!

Ainda bem que ele não quis complicar, né?

Eu só me pergunto quem vai consertar o desastre e os estragos jornalísticos provocados pela própria Defesa Civil...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um bico na valsa

Não dançar a valsa no casamento anda quase tão comum quanto era dançá-la.

Aqui, além disso, ainda teve um investimento. Nunca tinha visto nada parecido! Eu achei BEM legal :D

A Ana e o Julimar ensaiaram muito bem essa bicanca no balde. E pelo visto, a profe foi a Aninha.

Casamento do meu ex-colega de facul com a minha colega de trabalho de trabalho. Que bom que a vida foi justa, e pessoas legais se conheceram e, tomara, sejam felizes até o fim dos dias.

Uma das festas mais divertidas e alegres deste ano!

O vídeo é um futuro fenômeno do Youtube.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Faz parte do meu show

Essa talvez seja difícil de entender, porque só vendo a figura pra saber.

Seria preciso conhecer o músico meio espaçoso que só não faz como a Suzana Vieira, de roubar o microfone do Videoshow, porque ele é um cara gente fina, mas meio fora da casinha. E ela é uma otária mesmo.

Foi semana passada, no Liverpool, um bar tão legal em Joinville que, por isso mesmo, se arrasta.
Betinho toca sextas-feiras no Fritz, ou Gutz, boteco que vou desde que me mudei pra cá. Com seu chapéu crocodilo Dundee, ele é intermunicipalmente conhecido por seu jargão: "Ó meu Brasil!" Está sempre às voltas com uma bandeira do país.

Era quinta-feira, show de uma das bandas mais legais da cidade, a Reino Fungi. Com eles, a Karadura. Tributo ao Raulzito. Heineken descendo bem, som maneiro.

Aí acabou o o show. O pessoal das bandas chamou quem queria cantar, dar uma palhinha, pra encerrar cantando tipo maluco beleza. O tal músico tava por lá, um pé no palco, outro no degrau. Cantou de canto de boca no microfone do lado da caixa de som. Mocozado. Isso no começo.

Porque quatro músicas depois, o queridão já tava bem no meio do palco, dominando a parada. Tomou o microfone dos vocalistas, embrulhou a bandeira no pescoço feito um cachecol, gritou "Ó meu Brasil" loucamente.

Eu e o parceiro de copo já estávamos incrédulos, rindo, e até esperando pela... hm... participação. Mas aí o cara se superou. Quando acabaram todos os bis, ele mandou essa

- Valeu gente! Queria muito agradecer a presença da Reino Fungi e da Karadura aqui, nesta noite!

Só faltou querer inteirar o couvert!




sábado, 18 de julho de 2009

Ei, você! Adeus!

Por algumas razões (nem tantas assim) essa música anda fazendo bastante sentido. No trabalho!
Boa para sempre!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Um pseudofim

A noite de quarta estava gelada.

Mais ainda estavam as cervejas* que eu tinha deixado preparadas, antes de sair de casa, no final da manhã.

Erdinger, weiss alemã.
Licher weizen, também alemã.
Strong Gold Ale, Eisenbahn, brasileira boa

Cada uma com seu copo. Cada uma a seu tempo.

Era para celebrar (?) o fim de uma fase da vida. Um tempo que, por mim, durava até o dia que eu ficasse completamente insano, e sem condição motora alguma. Um pouco de drama meu, outro tanto de "contrariação" por estar sendo praticamente forçado a mudar o rumo.

Se tem coisa que gosto na vida, além de cerveja boa, além de amigos, é ser repórter. E é o que não vou ser mais,a partir de hoje, e possivelmente por um bom tempo. Ao menos não full time, como era até há pouco, 14 de julho, quando saí da redação de AN andando miudinho, arrastando os pés, como que numa despedida pela metade.

Mudei, na prática, de função. Passei o dia e a noite - com as cervejas, claro - remoendo desde o começo de 2001, quando comecei, eufório, no O Estado, hoje completamente destruído. E lembrando.

Do presidente da Câmara de Piçarras com o pescoço vermelho com uma matéria sobre uma CPI de lá
Do doutor Welson de Blumenau, que receitou sexo para quem queria muita fluoxetina
Da minha primeira capinha do "OE Fim de Semana", com um texto que hoje eu tenho vergonha até de ler.
Dos bafões em Barra Velha, quando até esvaziaram os pneus do meu carro.
Dos motoristas e fotógrafos besteirentos e parceiros, quase todas as vezes.
Do calafrio e taquicardia que senti numa casa semi-abandonada do Jardim Paraíso, na noite que dormi (?) por lá.
Dos pedidos sofridos que nem eu, nem minha caneta nem meu bloco seriam capazes de atender, tamanha a ineficácia do poder público.
Da catinga das minhas roupas usadas durante a cobertura das enchentes
E do cheiro de falta de banho e dentes escovados dos abrigos que visitei pelo mesmo motivo.

Lembrei de outras tantas coisas que estarão no meu obituário, ou epitáfio, ou desastrosa autobiografia, num quem sabe um dia.

Mas me doía mesmo pensar que aquela baita história eu não vou mais contar. Elas não aparecem todos os dias. Na verdade, a proporção de quinquilharias nesse baú de pautas é muito maior. Mas é que nem promoção, balaio. Revirando no meio da cacalhada sai uma coisa boa, e tudo parece valer o esforço.

Emocionalmente, ao menos. É assim que as empresas de comunicação seguram jornalistas dedicados: alimentam o tamaguchi, deixam a paixão pela coisa, que vem do berço, fazer de conta que tampa o rombo no bolso.

Já doeu mais. Alguma coisa me diz (talvez eu mesmo) que nunca vou deixar de fazer isso. Conversar, conhecer, criar. Taí. Gosto desses três verbinhos juntos. Talvez com um quarto, junto: discordar.

Como diz o CD da Alva, banda de um amigo e tanto, ah... que saudades do futuro!


* // Cervejas boas são outra mania, além de cama arrumada. Só que mais forte.Tenho fama de pão duro, mas com cerveja boa, isso vai para o espaço. Acho que é meu luxo. Ser mestre cervejeiro artesanal seria um dos meus planos para tantas vidas que poderia viver nesta aqui //

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Como não arrumar a cama

Tenho uma mania estranha. Gosto da cama arrumada, sempre. Lençol embaixo, dobra por cima do edredon, quatro travesseiros. É bom ver, e bom também deitar na cama organizada.

Mesmo quando você tomou umas geladas. Como diz o Jean: meu direito à dignidade.

Só que seres descoordenados como eu deveriam fazer cursinhos com camareiras, ou sei lá quem.

Pra lá de meia-noite, fui esticar o lençol de cima.

Joguei, calculado, para usar o ar sob o lençol e fazê-lo cair, do lado de lá bem certinho, nos 15 cm entre a cama e a parede.

Pá, pá, pluft-cléc-tóim, pst.

Engalhei a parada no ventilador de teto, que tava desligado.

"Por sorte, a tragédia não foi ainda maior", diria o âncora da TV. Não que ele goste da palavra. Longe disso.

É. Veio a lâmpada abaixo, junto com o bocal. arranquei tudo, só ficou o ventilador. Não se espatifou porque caiu em cima da cama. No escuro, meio tolo, meio assustado, abri a janela, acendi a luz da sala e terminei a tarefa.

Com uma luz horrível, plugada na tomada, ainda tentei o "infazível". Reparafusar o que tinha estraçalhado. Óbvio que não deu. Ao menos tive a decência de desligar os disjuntores.

Não tem jeito.
Sou obrigado a inteirar a boa piadinha do cartão


Geladas depois do expediente, em casa: R$ 10,00
Amendoim torrado no microondas: R$ 2,00
Eletricista, depois da cagada com o lençol: R$ 35,00
Ir dormir com a cama arrumada: não tem preço!


*** NA FOTO, a cama arrumada, com a parede que dá fundo ao topo do blog.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma nova escolha?

Quase doze anos depois de fazer vestibular, uma indigesta escolha profissional. Dessa vez, dentro do jornalismo.

Lembro, óbvio, daquele conversê de "escolham o que gostam" ou "garantam seu futuro".

É. eu escolhi ser feliz, ao invés de ganhar dinheiro.

E parece que vou ter de escolher de novo.

Só que, agora, não tenho mais a alternativa de muita bufunfa. Não agora, não desse jeito.

Perto dos 30 anos, o balde que você chutou há uma década virou uma caixa d'água de 5 mil litros, cheia até a boca. Não tem coturno que resista.

Pensando bem... Nada me impede de furar a caixa e esvaziá-la. Depois quebrar o "balde" em mil pedaços com marretadas.

(...)

Eu deveria retomar o plano paralelo de trabalhar em loja de balaio, com microfone e alto-falante pra chamar a clientada.

- É trêx calcinha só pagar dérreau, vamo chegano, minha senhora, vamo enlouquecer o maridão com o conjuntinho vermelho que tá por 14,99, menos de 15 reais, é prá levar de todas as cores, viu, você aí, do outro lado da rua, que tá olhando e pensando, não pensa não, entra, compra e conta pras amigas depois, minha senhora, vamo chegando!

Tudo assim, emendado, sem pontuação meeeermo.

Assim, não fosse a grana, ao menos ajuda no lado do tal de ser feliz.


*** Oi, tô de volta. Sei lá por quanto tempo. Não desisti das historinhas. Só preciso de espaço pra mim e pra elas.