quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vermelho no Cinza




O táxi, um Palio Weekend Locker, freou acelerado na rua sem saída de Coqueiros.

No dia cinza, de mar marrom, mais ou menos agitado,
a moça desceu da porta traseira.

Saiu no banco atrás do motorista,
dois segundos depois de ele parar.

A cara inchada de choro,
o cabelo desgrenhado pelo vento e desespero.

Não falou
Não olhou
Não bateu a porta.

Descalça, de calça
e blusa meia-manga preta,
deu três passos até a calçada.

Atirou as três minúsculas flores vermelhas,
dessas que a gente rouba em jardins.

Duas ficaram na areia amarelada.
a outra se misturou aos gravetos da marola.

Eram todos botões sem caule
e certamente sem esperança.

Não rezou
Não chorou
Não fez escárnio

Correu de volta para o carro de motor ligado
E partiu no táxi com a mesma velocidade que chegou


* A foto é do lugar. Mas claro que não é do dia =)


sábado, 18 de setembro de 2010

Mistério bom

Não sei exatamente porque ou como.

Começa ainda na cama, acordando sozinho. Eu me espreguiço. Nunca fui muito de me esticar de manhã. Às vezes eu penso que a cama extra-XXG foi mesmo um bom investimento. Mesmo que só pra mim, na maioria das noites.

Não acendo a luz. Vou direto pra sacada, abrir a porta de correr. Se vejo o sol pela veneziana, aquele barulho dos carrinhos e do janelão é ainda maior. Nem lembro que tenho irmã no quarto do lado. Esporro certo.

A cadeira saudosa está lá no canto, onde o primeiro sol alcança. De pijama mesmo, passando por baixo da rede. e me atiro. Às vezes ligo a música. Quase sempre. Quase nunca tomo café ali como gostaria.

Se tá no quarto, Shitara embala. Faz dengo, mia sério por comida, depois se bandeia pra pia do banheiro pedindo água. Aí mia falso. Quer uma carona até a torneira. Eu acabo cedendo.

Reaprendi a ligar muito pouco o computador de manhã. É um segredo simples pra não gastar uma manhã ensolarada dentro de casa.

Banho no meu chuveiro antigo, que é o melhor da casa. Ou dente escovado e roupa de corrida direto. Tá. às vezes eu nem saio. Com o clima que tanto ajuda neste ano, uma revista, um livro ou só música na sacada, ou camuflado mo minúsculo jardim.

É a comida feita em casa, com o mesmo gosto do século passado.É o cheiro de verde-laranjeira, que vai fácil até a infância toda vez que olho também o velho pé de cajú. Uma mistura de saudosismo, harmonia e tesão pela vida que existe e ponto.

Praia sozinho, caminhada acompanhado, mas só de vez em quando. Parque, mato, verde, verde, verdeeee. Nem controlo o sorriso quando tenho a sensação de que 40 minutos demoram pra passar quando quando tô sentindo o vento, o sol e as músicas que eu nem preciso ouvir. Nem cantar.

Saio. Porque, sem ressentimentos, a Beira-mar, mesmo em obras, é muito mais atratativa que a fedentina do Rio Cachoeira. Gosto quando passo pela minha árvore favorita, que tá só cheia de galhos. Parecem capilares. E tem um banquinho que eu devo ter sentado só umas duas vezes.

Ver meu afilhado lindo quando quero, descobrir que Floripa tá cheia de gente que tá cagando pra pose do El Divino, dar um sorriso gratuito e observar muito, muito, as reações das pessoas.

Doces na feira da Alfândega, e rir sozinho quando a tia dos biscoitos me reconhece e diz
- Lá vem o galelo que prova tudo
E compra metade, né, tia?

Futebol, falar do meu time, ir no Estádio, ter uma amiga torcedora pé-quente e ter um monte de torcedor pra filosofar escalações, como se realmente entendêssemos algo.

Pra falar a verdade, eu ando até com saudade de ser reclamão, resmungão. Mas ó: bem de vez em quando.

Floripa é casa, e me faz bem.
E nem falei das noites ainda

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eurotrip, PHT 01

Nem saí do Brasil ainda e já tô com uma uruca.

Meu voo da TAM que era pra Congonhas foi cancelado, ontem à noite (quarta, 14/apr). Tive que vir pra Guarulhos e esperar o onibus quase uma hora.

Hoje vim bem cedo pra Guarulhos (Check in até 17h, cheguei 14h40). E pode ser que meu voo pra Paris simplesmente não saia!

Um maldito Vulcão explodiu na Islândia e já fechou três aeroportos. O de Paris tá pela boa. Ainda não confirmaram o voo.

E se não confirmarem?

Bom, talvez eu consiga ir amanhã. SE tiver vaga no voo. Mas, como é causa natural, a TAM não dá aconmodação nem porra nenhuma. Ou seja, posso ter que dormir aqui, agarrado na mochila.

Então, quem não tá de olho gordo (tá cheio hein?) que torça por mim para que eu consiga embarcar! Vai dar certo. É só pra dar emoção!

Que sorte que lá a maioria das minhas viagens são de trem!

Pensamento positivo !!!

Caramba, como é que vou falar com o Felipe? Ele tava na Coréia e também esperando o voo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Euforia Europeia

Não sei onde exatamente postar. Importa é deixar registrado o sangue correndo a 45 graus nas veias e em cada capilar. A euforia das férias, 48 horas de Paris, me leva a um embriaguês sem álcool nem estribeiras.

Daquelas de pular dentro de casa, só imaginando a música, os cheiros que nunca senti, as falas que parecem zunidos - e o são.

Não me importo de me perder, mesmo sabendo que isso é possível e provável.

O mundo que vai aparecer pra mim agora é o meu, que de alguma maneir eu sempre quis. Eu vou conquistá-lo com minhas forças, economias, com o meu tesão pelo planeta.

Danço sozinho, canto acompanhado das vozes que me assopram os ouvidos

Vou encontrar um dos meus melhores amigos na metade do planeta. Cada um viaja meio mundo pra fazer tudo isso acontecer de fato e direito. Que coisa maluca esse destino que nos colocou no Brasil e na Austrália. E agora, meio carecas e pançudos vai nos mandar para Barcelona, Paris, Amsterdã, Roma....

Como é bom me sentir tão vivo, tão intenso, inconsequente até.

Como é bom ver os sorrisos sinceros das pessoas que me gostam e sabem como sonhei com isso.

Vai ser a viagem da minha vida. Já é. E estou curtindo cada milisegundo.

Que eu tenha tempo e vocação para transcrever tudo isso.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Reaprendendo

Para ficar no embalo desses momentos de reflexão. Me sinto quase publicando um powerpoint daqueles de listas. Mas não vou deixar de registrar.

Tõ legal, não tô triste. Só ando emotivo e abrindo caminho por mim mesmo :)



terça-feira, 23 de março de 2010

Na hora certa

Curioso como tem filmes e situações e músicas e tantas outras coisas que nos atingem em cheio, dependendo do momento da vida.

Uma boa metáfora:


sexta-feira, 12 de março de 2010

Davi fora da caverna

Na praia, hoje de manhã, comentei com o Rogério K., colega de trabalho e amigo aqui de Joinville.

- O filho da Luciana Zonta é um cara sortudo. E vai ser um ser humano muito legal, pode esperar.

Era a engrenagem de um papo que nós - eu e Rogério - sempre gostamos. Como as pressões sociais/formais podem nos fazer infelizes. O quanto a gente confunde responsabilidade com infelicidade.

E como isso costuma mesmo rolar, com gente de todas as idades. Tudo certo, carro, família, casa, e o cara, assim, despiroca. Resolve ser ele. Ou antes disso, descobrir quem ele é de verdade.
Uma conversa que já foi parar no Mito da Caverna, de Platão.

Voltando ao Davi e à Lu:

Por incrível coincidência, o galeguinho está completando 1 ano hoje. É fofo e já viveu muita coisa que, de alguma maneira, vai refletir no que ele será.

Eu reproduzo aqui um trechinho do post da Lu no blog Cria na Estrada assinado há três meses por ela e pela Caroline Cézar, que eu não conheço, mas já gosto pelo jeito mãe de ser:

Há um ano Davi é crianaestrada. Ficar parado não é com ele. Em 365 dias, Davi já fez um pouco de tudo. Já tomou banho de mar, de piscina, de rio, de cachoeira. Já foi para longe e para perto. Já fez carteira de identidade, já saiu do país, viajou de carro, avião, navio, metrô.

Em um ano, Davi já pisou na grama, na pedra, na areia da praia, no asfalto. Já olhou por-do-sóis, já dormiu na rede, já tomou vento no rosto, posou para milhões de fotos, acenou para as pessoas, já viu Rally Dakar ao vivo e a cores.


Parabéns então, Davi, Lu e Adão
!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Supersincero mode off

Faz uns dez dias que isso não sai da cabeça. Com tantas mudanças à vista, porque não mudar, ele mesmo, algumas coisas que o incomodam?

Por que se tornara tão grosseiro?
Por que um deboche tão visceral?
Personalidade tem limite.
Uma espécie tranca social.
Que, ele sabia, tinha facilidade para arrombar a fechadura.
O problema é fazer isso sempre.

Poderia vir de longe, lá de 2002/03, quando delfinhou, incrédulo, diante de mentiras deslavadas.
Aquelas que o fizeram se fechar numa caverna submersa, fria. Mas com vida escondida.
Dessas que o Discovery encontra, mergulha, filma, e a gente diz: "caramba, que troço bonito"

Seria, então, a úlcera surpreendente que teve em 2009?
Estava lá, aquele buraco no estômago
Diagnóstico óbvio: engolindo sapos demais.

Resolveu inverter o processo
Era ele quem botava para fora cobras e lagartos
Muitas vezes, sem cerimônia.
Várias vezes, rebatia com mais força do que recebia.
Parecia querer ficar por cima.

Embrulhado na bandeira da sinceridade
Feriu
Esqueceu das entrelinhas, que ele mesmo valorizava
Confundiu transparência com grosseria.

Esqueceu que seu tamanhão, a voz grave
e o jeito estabanado e explosivo tornavam aquilo exponencial.
Avisado, ele foi
Mas era mais fácil lançar fumaça,
Atear fogo, mudar o foco.
Ainda é.

Insistiu e decidiu.
Começaria devagar, Engolindo um sapo ou outro.
E quando se desse conta, perceberia que aquelas raquetadas não eram mesmo necessárias.

Num Ano Novo com tantas metas ousadas, por que não exercitar sua paciência?



EXERCITANDO A POLIDEZ

Rodrigo. A recomendação aqui é clara: você não poderá agir de maneira completamente espontânea, dizendo tudo o que lhe vem à veneta. Ainda que você saia com a sensação de estar se portando com falsidade, será preciso estratégia e diplomacia para lidar com algumas circunstâncias difíceis. Ande pelas beiradas e evite os confrontos diretos a qualquer custo. Vivemos em sociedade e muitas vezes as circunstâncias exigem “planejamento comportamental”, demandando que aprendamos a sorrir para pessoas que não apreciamos. Sua paciência será recompensada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caligrafia




















Faz três meses que ele jurou: voltaria a ser protagonista.
Controlaria de novo a escrita, mesmo que afobada.
Não importaria se carregasse nas tintas. Era a sua caligrafia.

E com a pena na mão, moveu-a feito um elefante com obesidade mórbida.
É só falta de prática, pensou.
Ou talvez fosse exatamente o que queria naquela hora.

O exagero de Almodóvar
Que deveria, esse sim, ter dirigido "Frida Kahlo" o filme.
Na vida imediatista e intensa, houve tempo para ela, a intensa Frida.
E na frente da TV, as lágrimas dele, que tinham trezentos e vinte e sete motivos para rolar,
Vieram.

Engoliu o salgado, soluçou, tossiu,
Contraiu tanto as mãos que as unhas marcaram fundo a carne.
E agradeceu por existirem
Ele, ela, elas.
As lágrimas.
E as tintas também.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desastre é com a Defesa Civil

Esse tornado que passou por SC semana passada levou um monte de coisa boa, inclusive vida. A tristeza é grande lendo textos, ouvindo histórias e observando a destruição pelas lentes.

Mas tem coisa "inacreditível", que só deve acontecer com a nossa bendita Defesa Civil de SC.

Sexta-feira de noite, quase sábado, dúvida maldita para liberar a página: o que raios é uma pessoa deslocada? Alguém que foi arrastada pela ventania, pela água, pela terra?

- Alô, é da Defesa Civil Estadual?
- Sim senhor
- Com quem eu falo?
- Aqui é o Sargento Garcia (nome alterado para preservar a fonte)
- Ôooo, sargento.... o senhor pode me explicar qual a diferença entre desabrigado, desalojado e principalmente, deslocado?
- Ah, pois não...
- É que desabrigado era quem ia para ginásio, essas coisas. Desalojado ia para casa de amigos, parentes né, sargento?
- Isso... isso
- E o deslocado, é o que?
- Ah, então... é que agora tem essa categoria... Deslocado é o seguinte. Separamos agora quem vai para casa de amigos e parentes. Quem fica com amigos é deslocado. E família, aí continua desalojado
- Mas por que isso? Não é mais difícil de contar?
- Olha... então, foi o que criaram...
- Tá certo, então... obrigado viu seu Garcia?!
- Qué isso, tamos às ordens.


Tava difícil de acreditar. Foi melhor consultar os colegas de outro jornal

- Deslocado? Pra gente disseram que é quem precisa sair da cidade.
- É... faz mais sentido...

tã tã tu tu tu tã tã tã
tuuuuuuu....

- Alô, sargento Garcia?
- Pois não?
- Então, eu falei com o senhor agora há pouco... tá lembrado?
- Sim, claro, claro, prossiga
- É que eu ainda tô com dúvida. Uns colegas da imprensa disseram que deslocado é quem sai da cidade. E o senhor me disse que é a pessoa que vai para a casa de amigos. O que tá certo afinal?
- Olha....

Silêncio curto e interminável

- Na verdade, viu... as duas coisas tão certas
- Hã?
- É que funciona assim... Na verdade deslocado é um termo usado bem para o interior sabe... Então... no interior geralmente as pessoas não têm amigos na mesma cidade... porque as cidade são pequenas... daí elas vão para a casa de amigos, mas em outras cidades... entendeu?

Silêncio do lado de cá...

- Sim, sim... entendi, mas aí fiquei com outra dúvida.
- Diga...
- E se eu for para a casa de um parente fora da cidade?
- Ah, aí é sempre desalojado!

Ainda bem que ele não quis complicar, né?

Eu só me pergunto quem vai consertar o desastre e os estragos jornalísticos provocados pela própria Defesa Civil...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um bico na valsa

Não dançar a valsa no casamento anda quase tão comum quanto era dançá-la.

Aqui, além disso, ainda teve um investimento. Nunca tinha visto nada parecido! Eu achei BEM legal :D

A Ana e o Julimar ensaiaram muito bem essa bicanca no balde. E pelo visto, a profe foi a Aninha.

Casamento do meu ex-colega de facul com a minha colega de trabalho de trabalho. Que bom que a vida foi justa, e pessoas legais se conheceram e, tomara, sejam felizes até o fim dos dias.

Uma das festas mais divertidas e alegres deste ano!

O vídeo é um futuro fenômeno do Youtube.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Faz parte do meu show

Essa talvez seja difícil de entender, porque só vendo a figura pra saber.

Seria preciso conhecer o músico meio espaçoso que só não faz como a Suzana Vieira, de roubar o microfone do Videoshow, porque ele é um cara gente fina, mas meio fora da casinha. E ela é uma otária mesmo.

Foi semana passada, no Liverpool, um bar tão legal em Joinville que, por isso mesmo, se arrasta.
Betinho toca sextas-feiras no Fritz, ou Gutz, boteco que vou desde que me mudei pra cá. Com seu chapéu crocodilo Dundee, ele é intermunicipalmente conhecido por seu jargão: "Ó meu Brasil!" Está sempre às voltas com uma bandeira do país.

Era quinta-feira, show de uma das bandas mais legais da cidade, a Reino Fungi. Com eles, a Karadura. Tributo ao Raulzito. Heineken descendo bem, som maneiro.

Aí acabou o o show. O pessoal das bandas chamou quem queria cantar, dar uma palhinha, pra encerrar cantando tipo maluco beleza. O tal músico tava por lá, um pé no palco, outro no degrau. Cantou de canto de boca no microfone do lado da caixa de som. Mocozado. Isso no começo.

Porque quatro músicas depois, o queridão já tava bem no meio do palco, dominando a parada. Tomou o microfone dos vocalistas, embrulhou a bandeira no pescoço feito um cachecol, gritou "Ó meu Brasil" loucamente.

Eu e o parceiro de copo já estávamos incrédulos, rindo, e até esperando pela... hm... participação. Mas aí o cara se superou. Quando acabaram todos os bis, ele mandou essa

- Valeu gente! Queria muito agradecer a presença da Reino Fungi e da Karadura aqui, nesta noite!

Só faltou querer inteirar o couvert!




sábado, 18 de julho de 2009

Ei, você! Adeus!

Por algumas razões (nem tantas assim) essa música anda fazendo bastante sentido. No trabalho!
Boa para sempre!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Um pseudofim

A noite de quarta estava gelada.

Mais ainda estavam as cervejas* que eu tinha deixado preparadas, antes de sair de casa, no final da manhã.

Erdinger, weiss alemã.
Licher weizen, também alemã.
Strong Gold Ale, Eisenbahn, brasileira boa

Cada uma com seu copo. Cada uma a seu tempo.

Era para celebrar (?) o fim de uma fase da vida. Um tempo que, por mim, durava até o dia que eu ficasse completamente insano, e sem condição motora alguma. Um pouco de drama meu, outro tanto de "contrariação" por estar sendo praticamente forçado a mudar o rumo.

Se tem coisa que gosto na vida, além de cerveja boa, além de amigos, é ser repórter. E é o que não vou ser mais,a partir de hoje, e possivelmente por um bom tempo. Ao menos não full time, como era até há pouco, 14 de julho, quando saí da redação de AN andando miudinho, arrastando os pés, como que numa despedida pela metade.

Mudei, na prática, de função. Passei o dia e a noite - com as cervejas, claro - remoendo desde o começo de 2001, quando comecei, eufório, no O Estado, hoje completamente destruído. E lembrando.

Do presidente da Câmara de Piçarras com o pescoço vermelho com uma matéria sobre uma CPI de lá
Do doutor Welson de Blumenau, que receitou sexo para quem queria muita fluoxetina
Da minha primeira capinha do "OE Fim de Semana", com um texto que hoje eu tenho vergonha até de ler.
Dos bafões em Barra Velha, quando até esvaziaram os pneus do meu carro.
Dos motoristas e fotógrafos besteirentos e parceiros, quase todas as vezes.
Do calafrio e taquicardia que senti numa casa semi-abandonada do Jardim Paraíso, na noite que dormi (?) por lá.
Dos pedidos sofridos que nem eu, nem minha caneta nem meu bloco seriam capazes de atender, tamanha a ineficácia do poder público.
Da catinga das minhas roupas usadas durante a cobertura das enchentes
E do cheiro de falta de banho e dentes escovados dos abrigos que visitei pelo mesmo motivo.

Lembrei de outras tantas coisas que estarão no meu obituário, ou epitáfio, ou desastrosa autobiografia, num quem sabe um dia.

Mas me doía mesmo pensar que aquela baita história eu não vou mais contar. Elas não aparecem todos os dias. Na verdade, a proporção de quinquilharias nesse baú de pautas é muito maior. Mas é que nem promoção, balaio. Revirando no meio da cacalhada sai uma coisa boa, e tudo parece valer o esforço.

Emocionalmente, ao menos. É assim que as empresas de comunicação seguram jornalistas dedicados: alimentam o tamaguchi, deixam a paixão pela coisa, que vem do berço, fazer de conta que tampa o rombo no bolso.

Já doeu mais. Alguma coisa me diz (talvez eu mesmo) que nunca vou deixar de fazer isso. Conversar, conhecer, criar. Taí. Gosto desses três verbinhos juntos. Talvez com um quarto, junto: discordar.

Como diz o CD da Alva, banda de um amigo e tanto, ah... que saudades do futuro!


* // Cervejas boas são outra mania, além de cama arrumada. Só que mais forte.Tenho fama de pão duro, mas com cerveja boa, isso vai para o espaço. Acho que é meu luxo. Ser mestre cervejeiro artesanal seria um dos meus planos para tantas vidas que poderia viver nesta aqui //

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Como não arrumar a cama

Tenho uma mania estranha. Gosto da cama arrumada, sempre. Lençol embaixo, dobra por cima do edredon, quatro travesseiros. É bom ver, e bom também deitar na cama organizada.

Mesmo quando você tomou umas geladas. Como diz o Jean: meu direito à dignidade.

Só que seres descoordenados como eu deveriam fazer cursinhos com camareiras, ou sei lá quem.

Pra lá de meia-noite, fui esticar o lençol de cima.

Joguei, calculado, para usar o ar sob o lençol e fazê-lo cair, do lado de lá bem certinho, nos 15 cm entre a cama e a parede.

Pá, pá, pluft-cléc-tóim, pst.

Engalhei a parada no ventilador de teto, que tava desligado.

"Por sorte, a tragédia não foi ainda maior", diria o âncora da TV. Não que ele goste da palavra. Longe disso.

É. Veio a lâmpada abaixo, junto com o bocal. arranquei tudo, só ficou o ventilador. Não se espatifou porque caiu em cima da cama. No escuro, meio tolo, meio assustado, abri a janela, acendi a luz da sala e terminei a tarefa.

Com uma luz horrível, plugada na tomada, ainda tentei o "infazível". Reparafusar o que tinha estraçalhado. Óbvio que não deu. Ao menos tive a decência de desligar os disjuntores.

Não tem jeito.
Sou obrigado a inteirar a boa piadinha do cartão


Geladas depois do expediente, em casa: R$ 10,00
Amendoim torrado no microondas: R$ 2,00
Eletricista, depois da cagada com o lençol: R$ 35,00
Ir dormir com a cama arrumada: não tem preço!


*** NA FOTO, a cama arrumada, com a parede que dá fundo ao topo do blog.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma nova escolha?

Quase doze anos depois de fazer vestibular, uma indigesta escolha profissional. Dessa vez, dentro do jornalismo.

Lembro, óbvio, daquele conversê de "escolham o que gostam" ou "garantam seu futuro".

É. eu escolhi ser feliz, ao invés de ganhar dinheiro.

E parece que vou ter de escolher de novo.

Só que, agora, não tenho mais a alternativa de muita bufunfa. Não agora, não desse jeito.

Perto dos 30 anos, o balde que você chutou há uma década virou uma caixa d'água de 5 mil litros, cheia até a boca. Não tem coturno que resista.

Pensando bem... Nada me impede de furar a caixa e esvaziá-la. Depois quebrar o "balde" em mil pedaços com marretadas.

(...)

Eu deveria retomar o plano paralelo de trabalhar em loja de balaio, com microfone e alto-falante pra chamar a clientada.

- É trêx calcinha só pagar dérreau, vamo chegano, minha senhora, vamo enlouquecer o maridão com o conjuntinho vermelho que tá por 14,99, menos de 15 reais, é prá levar de todas as cores, viu, você aí, do outro lado da rua, que tá olhando e pensando, não pensa não, entra, compra e conta pras amigas depois, minha senhora, vamo chegando!

Tudo assim, emendado, sem pontuação meeeermo.

Assim, não fosse a grana, ao menos ajuda no lado do tal de ser feliz.


*** Oi, tô de volta. Sei lá por quanto tempo. Não desisti das historinhas. Só preciso de espaço pra mim e pra elas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Doeu em mim

É como se fosse comigo.
Roubaram o carro da Chelle ontem.
Por mais que tenha seguro, isso é uma aporrinhação só.
O jeito como foi, e até a reação de algumas pessoas é que deixam a gente chateado. Ou puto da cara mesmo.

"Ah, mas tem seguro. menos mal"
"Vão os anéis, ficam os dedos"
Ouvimos bastante... Mas Isso não anula algumas emoções que a gente precisa sentir, apesar de não gostar nem querer.

No trabalho. É, roubaram o carro enquanto a gente dava o sangue, fazia o nosso. Peão é assim. Fica com carro na rua. NA RUA. Você vai trabalhar, e não tem segurança de que o carrinho que comprou com tanto suor, que simboliza um pouco de tanta coisa, vai estar ali quando você voltar.

O resultado final é o mesmo: sem carro. Mas desse jeito, é pra ficar ainda mais puteado. Ainda mais sabendo que não foi o primeiro. Faz meses, aconteceu exatamente a mesma coisa com um colega que sentava na minha frente. Nada mudou.

Uma empresa que lucra milhões, que distribui peru de natal, manda mensagens de gratidão e o escambau, poderia alugar o terreno baldio do lado, que até já foi usado como estacionamento pra um evento do jornal. Quando veio o governador, o escambau, aí conseguiram emprestado. Curioso, né? Não sei os trâmites, só estou aborrecido e ainda me perguntando o porque disso.

Drama? Materialismo?

Porque não foi você que abriu mão de tantas outras coisas, passeios, baladinhas e seu restaurante favorito pra pagar aquelas prestacões que não acabavam nunca. Mesmo quando seus amigos estavam no bar, a pé, e achando que aquilo tudo era frescura.

É. Porque o carro representa, para ela e para tanta gente, uma conquista pessoal. É uma espécie de personificação. A primeira grande conquista. Só quem passa por isso sabe. Eu acompanhei as últimas parcelas, celebrei junto. E estou profundamente irritado, chateado e triste. Tudo junto.

Não é justo que a gente faça a nossa parte, rale pra caramba, ajude os outros, prepare nosso humilde passeio de carnaval no único dia de folga que teremos no "feriado nacional" e uma merda dessa ocorra. Não é justo com ela, que só faz é ajudar os outros. O carro limpinho, revisado, zeradinho, tão cuidado por ela é para ela, não pra um filho da puta fazer farra ou sabe-se lá o que.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Indiada Alanesca


Alanis Morissette marcou minha adolescência e de milhões no mundo inteiro lá por 1997. Por isso, quando tocou em Floripa há quase duas semanas, (vídeo podre lá embaixo),a canadense teve um público de 20 e poucos e 20 e muitos anos. Pouco menos que os 30 e tantos dela.

Nostalgia que fez muita gente que detesta fila voltar alguns degraus e encarar chuva e horas de espera pra ver a gringa. Eu e a Chelle (ela, bem mais parceira minha que admiradora da Alanis) tomamos umas três horas de Chuva. Mas Chuva de escorrer até dentro dos tênis, de jorrar água da camiseta. De dar frio com aqueles ventos encanados de Jurerê.

Alanis subiu no palco mais de três horas depois de a gente entrar. Chegamos meio cedo, e isso merece um postzinho só.

Chuva e vento eu reclamo de ranzinza. Mas no fundo adoro. Sempre dá vontade de sair correndo na chuva. Claro, com a certeza que volto logo para o quentinho, assim que quiser. No show, já tava q era um maracujá de tão murcho, esperando o som.

Valeu. Foi um show internacional bem bom depois de muitos anos. Coincidência, há uma década eu também gostava da Shakira (tá, confesse!), ainda latina e gordinha. Tocou exatamente no mesmo lugar, que tinha, claro, outro nome e outro palco. E nauela noite também choveu.

And isn't it ironic, don't you think?

Confesso que lá no meio do show, depois da terceira música lenta seguida xinguei a Alanis por causa do frio.

- Canta uma rápida que tá gelado, sua vaca.

Foi só murmúrio. Depois passou

O show pareceu mesmo sair do final dos anos 90. Muitos sucessos daquela época. Som de primeira, parecia muito com um CD que a Alanis gravou em 2006, em Salt Lake City. Só que com guitarras mais sujas.

Depois de um ano meio infernal, 2009 com um começo bacana. De alguma forma, a Ilha, o show, o momento bem legal com a namorada, me fizeram resgatar um pouco do Rodrigo perdido nessas andanças todas. Estourei um pouco do plástico bolha que está ao redor.

Chega de asfixia.


sábado, 31 de janeiro de 2009

O carona, a placa e o radialista

Ele e a cidade inteira já estava emputecidos com a situação.

Passou a chuva, veio o sol de rachar que durou dias inteiros. Mas a tal da placa de área alagada continuava lá, aporrinhando a vida do motorista. Desvio pelo paralelepípedo irregular. Lentidão. quase acidente. Todo dia, dia sim, dia sim.

Usava a rua todo dia para ir e voltar do trabalho. Ele e um caminhão de gente que chegava e saída da cidade.

Madrugada de um dia de semana. Voltando do boteco já embalado, fez o que sempre quis. Enfiou o carro popular entre uma faixa e uma placa de interdição. Primeiro obstáculo vencido fácil. Mais 200 metros, tocou o pé no freio. Não dava mais. Placa, placa e placa. Três.

O caroneiro quis aconselhar:

- Melhor fazer a volta, acho que não passa.

Não deu ouvidos. Andou mais, chegou bem perto. Parou

- Tira a placa
- Quê?
- Tira a placa da frente!

O caroneiro desceu do carro meio sem jeito. Lembrava aqueles que nunca tinham pixado nada, olharzão desconfiado. Logo ele, descolado-mór.

Pegou a placa amarela e preta com a ponta dos dedos das duas mãos. levou nem meio metro para o lado.

- Passa?
- Derruba!
- Passa o carro?
- Derruba esta merda!

Deu um safanão meio despretensioso. A placa bambeou para os dois lados, e caiu em pé.

- Derruba esta merda !!!!

O segundo empurrão foi mais que suficiente. Placa de pés e pernas pro ar.

Caminho aberto, caroneiro de volta, caminho livre. Riram, mas o melhor estava por vir.

Dia seguinte, perto das 11 da manhã, passou de novo por lá. A placa continuava lá, de pernas pro ar. O trânsito, nem lá, nem cá. Invasores do espaço estavam seguindo o asfalto. Os certinhos iam pelo desvio esburacado.

Deu mídia. Radialista conhecido na cidade abriu comentário em seu programa de meio-dia

- Olha, gente, hoje passei ali na frente do cemitério e vi uma cena que me chamou a atenção. Derrubaram a placa de interdição, e estão passando. Bom, eu fico pensando que o quão indignado está esse cidadão pra fazer isso. Me coloco no lugar dele, tendo de desviar todo dia. Acho que ele externou o que muita gente estava tendo vontade. Seja lá quem foi, abriu caminho com as próprias mãos, porque a prefeitura simplesmente se omitiu.

À tarde, os guardas já tinham erguido tudo de novo. Mas, talvez por coincidência, pegou a moda. Passou mais uma semana, e cada noite, um doido derrubava.

Até a prefeitura "nova" tomar vergonha na cara e começar a mexer no barranco, motivo de toda aquela interdição. Tiraram os cavalentes dez dias depois.

... E dizem que bêbado só faz merda.